Já faz algum tempo que a expressão “Vida de Cachorro” significava vida ruim, pelo contrário, hoje alguns cães vivem muito melhor do que muitas pessoas. Atualmente não são raros os filhos peludos terem cada vez mais mimos e regalias proporcionados por seus pais humanos. Essa situação leva a alguns questionamentos: será que toda essa humanização é necessária ou já tem um certo exagero se formos pensar do ponto de vista canino? Devemos sempre ter em mente que um cão não é um ser humano e que ultrapassar essa linha pode ter graves consequências para ambas as espécies. Sendo assim, um cachorro é um cachorro, deve ser sempre tratado e agir como tal, ao humanizar os animais estamos deixando de atender suas necessidades pois, como sabemos, todas as espécies possuem diferentes hábitos nutricionais, ambientais e sociais.

O cão ao ser tratado como ser humano perde sua identidade, prefere ficar com seus proprietários e já não reconhece mais os outros cães como indivíduos de sua espécie, isso trará a esse peludo sérios problemas emocionais e comportamentais. Diversos estudos demonstram que os cães são animais que conviviam em grupos (matilhas) e devido ao modo de vida que seus guardiões possuem com intensas jornadas de trabalho que reduzem a disponibilidade de tempo vem se tornando a cada dia mais solitários. A humanização dos peludos confunde suas cabeças e ocasionam em inversão de papéis, o cão que vivia em sociedade hierárquica que estabelecia limites, dependendo do status que tinha  e já não sabe mais o que pode e o que não pode fazer nem qual o lugar que exerce nesta família multiespécie, em que em um momento deve ser fofo e agradar o seu proprietário em tudo e em outro tem que defende-lo de pessoas que desavisadamente invadiram o “seu território”, mas que por acaso são convidados do dono da casa que Ele considera que é sua. A partir daí começam os conflitos pois o proprietário por não entender o que está acontecendo com seu amiguinho que era tão bonzinho considera que atacar os convidados é um comportamento inaceitável enquanto o coitado do cãozinho apenas está desempenhando o papel que Ele acha que é seu, de proteger o lar de invasores.

Portanto, atribuir aos pets características próprias dos humanos podem leva-los a apresentar alterações comportamentais bem significativas como:

  • Agressividade direcionada ao próprio dono, a pessoas estranhas e a outros animais;
  • Marcação excessiva com urina ou coco em locais inadequados da casa (sofá, cama, etc);
  • Desenvolver vícios destrutivos de objetos (calçados, roupas, acessórios, papéis e tudo o mais que encontrar ao seu alcance);
  • Manifestar comportamentos obsessivos ou estereotipados (perseguir insetos imaginários e a própria cauda, lamber as patas ou outras partes do corpo insistentemente, podendo até mesmo auto mutilar-se, etc);
  • Latir descontroladamente para campainhas ou portas sem motivo aparente;

Não humanizar não quer dizer que você não ama seu amigão, o segredo está em saber dosar esse amor sem ultrapassar a linha tênue que há entre o que achamos que é bom e o que realmente eles precisam para viver bem.

O amor verdadeiro por um pet é expressado com atitudes como atender suas necessidades primordiais, que vão

desde alimentar corretamente, proteger, manter vacinas e outros controles de saúde em dia, levar ao veterinário sempre que necessário, e mais que tudo, respeitar e entender o modo de agir próprio de sua espécie. Portanto, quem ama um peludo não personifica nem tenta modifica-lo, incutindo conceitos humanos, apenas aceita e procura compreender sua natureza e no máximo modela e educa para melhorar a convivência e a qualidade de vida de ambos.

 

 

 

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